segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Inauguração

Oi, gente, bem-vindos ao meu novo projeto de blog que, espero que dessa vez, dê certo. Pretendo deixar aqui os reviews de todos os jogos que eu terminei, em especial os mais antigos ou desconhecidos, que são os que os leitores ainda não têm intimidade. Postem suas ideias, dúvidas e opiniões, espero que nosso blog cresça e se desenvolva bem :D

Oriental Blue Ao no Tengai - review

Oriental Blue Ao no Tengai
Pense no RPG mais clichê e batido que você consiga. Pois é, monstros, demônios, feiticeiros, masmorras, florestas, cavernas, guerreiros, mitologia medieval... Não é muito difícil, é? Sim, esse game é mais um desses, algo que um jogador de Final Fantasy velha guarda (do 1 ao 6) vai identificar em segundos. Isso, quero dizer, salvo uma pequena ressalva que faz dele um jogo bem diferenciado, ele não é baseado na Europa, como quase todos os RPGs, mas na Ásia.

Sim, Arábia, Indochina, Japão, China, Índia, as referências não são poucas no mundo dessa pérola, todos muito bem representados com seu povo, sua arquitetura e sua mitologia, na minha opinião algo bem criativo, ao menos pra época (o jogo é do Game Boy Advance). No mais é praticamente um Final Fantasy, combates em equipe, sistema de magia, lutas em turnos, mundo aberto, etc. Eu diria que fãs do gênero têm tudo pra gostar de verdade.

Sinopse

Começa com seu personagem (garoto ou garota, conforme sua escolha) fazendo um registro entre guardas da cidade. Você dá seu nome e eles te dispensam, ao que você sai pelas ruas da cidade pra ir embora. No meio do caminho você é interrompido(a) por estranhas aparições fantasmagóricas, até se deparar com a imagem de uma princesa, que implora sua ajuda.

Primeira cena do jogo


Você acorda em uma estalagem em alguma cidadezinha interiorana. Então você percebe que seu sonho foi uma mensagem de seus ancestrais, que deram a você a tarefa de entregar um estranho documento à capital da região, a grande cidade de Daito. Lá o guarda do portão diz que será feita uma espécie de ritual para exorcizar a cidade e o mundo dos monstros e portanto pede que você carregue um amuleto até o palácio. Mas as coisas não acabam indo tão bem...

Gameplay

Para um RPG velha guarda não há nenhuma novidade. Ataques em equipe, golpes corpo-a-corpo, habilidades exclusivas de personagem e magias. Uma novidade é o sistema com qual as magias são feitas, além de precisarem de gasto de mana, também usarão pedras especiais que são encontradas após os combates, que podem ser combinadas para que se formem magias mais poderosas (o sistema é bem explicado durante o jogo). No mais existe o modo de exploração, no qual você sai pelo mundo, conversa com as pessoas, coleta itens, explora dungeons e completa missões. Assim como Final Fantasy 1 (de NES), infelizmente, você só pode salvar seu jogo nas hospedarias, o que nem toma tanto tempo, mas pode ser bem irritante. Também existem várias side-quests, sendo que algumas podem influenciar o jogo mais adiante conforme foram completadas ou não. Existem também vários personagens parceiros, com os quais você eventualmente poderá combinar equipes até de quatro membros e alguns deles são opcionais conforme as decisões que você tomou no jogo.
Interface de Combate
Claro que nem tudo são flores. O game peca um pouco por não ter post gameplay (ele não permite que você continue a história depois de fechar o jogo, algo bobo, mas que pode fazer falta), algo estranhamente comum em RPGs japoneses em comparação aos ocidentais.

Enredo

As análises do game, em geral, apontam que esse game foi bastante sombrio se comparado com o resto da franquia Tengai. Infelizmente, os jogos só saíram no Japão, sendo que esse é ainda o único acessível a ocidentais que não sabem japonês, via rom hacks. Pessoalmente achei o enredo muito bem elaborado, mas bem típico, sem nada de tão impressionante ou que não pudesse ser visto em qualquer outro RPG. Os personagens são bem apresentados e mostram grandes traços de personalidade, alguns mais amenos e até mesmo engraçados, outros mais sombrios. Como sempre, o protagonista é o caladão e portanto sua personalidade é meio que um mistério, ou melhor, é meio que determinada pelas decisões do jogador. Os vilões (chefões em geral) são apresentados de forma inicialmente sutil, mas bem elaborada, algo mais como por exemplo Kefka (FF6) do que Zemus ou Ex-Death (FF4 e 5). Quanto ao enredo em si, eu diria que sua base é bem clichê, não pretendo fazer muito spoiller, mas a ideia geral é um mundo de monstros que quer atacar o mundo humano, simples assim. Enfim, eu diria que é um enrendo bem envolvente mesmo assim.
Tenkamaru, um dos heróis do jogo


Gráficos

Animação no começo do jogo

Os melhores da geração. Coloridos e bem detalhados, não deixam a desejar. As cidades e seus habitantes são muito bem representados, de forma que o jogador não precisará usar tanta imaginação para se imaginar na Ásia antiga. O aspecto dos personagens, tanto heróis como vilões, também está muito bem feito e deve agradar em especial aos fãs do estilo anime. Uma coisa, no entanto, que peca no jogo é a ausência dos protagonistas nas cenas de combate (igual aos primeiros Dragon Quest e alguns jogos do RPG Maker), uma questão pequena, mas que pode incomodar alguns jogadores. Fãs de 3D também não gostarão da aparência do jogo, embora que eu mesmo admito que o mesmo escolheu bem, sendo que os jogos 3D do Game Boy Advance são geralmente feios de sangrar o olho.

Desafio

Mediano, eu diria, bem condizente com um RPG. Alguma estratégia nos combates é necessária, isso se o jogador não quiser passar horas e horas melhorando os personagens e seus equipamentos, especialmente nas dungeons mais compridas ou chefões mais casca-grossa, que vão dar mais problema. Também existe aquele sistema de quests ao estilo Zelda, em que o jogador deve fazer uma sequência de ações (ir pra tal lugar, falar com tal pessoa) para avançar, mas nada realmente difícil. Uma coisa interessante também é que muitas batalhas, no game, podem ser evitadas ou mesmo perdidas, o que mudaria alguns detalhes do enredo, embora o fim acabe sendo o mesmo depois de tudo.

Música

Não gosto de me aprofundar nesse assunto, visto que a música dos games é boa, mas sem grandes destaques (exceto, claro, os realmente muito bons nelas, como Donkey Kong Country e a série Touhou). Eu então diria que a OST é boa sim e destaco o uso de melodias mais orientais, que combinam muito bem com o ambiente do jogo.

Conclusão

Protagonista masculino do jogo


Eu adorei o jogo e acho que qualquer fã de JRPG também vai adorar. Gráficos bem-feitos, história boa, gameplay divertida, tudo isso dá a ele um clima bem envolvente. O jogo tem tudo pra rivalizar com os da Square Enix sem nenhum favor, seja tamanho, enredo, gameplay ou o que for. Se você for um fã de JRPGs antigos e quiser conhecer cada vez mais deles, é seu dever passar por Ao no Tengai. Vale lembrar também que o jogo nunca foi lançado no ocidente, então os interessados devem procurar o projeto de tradução pra jogar, caso não saibam ler japonês.

PS: Assim como os Final Fantasies, o jogo tem uma introdução inicial bem demorada, então o jogador vai precisar de um pouco de paciência na primeira vez que for jogar.

Divirtam-se!